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Reforma Política

segunda-feira, 22/07/2013 16:44

Sucesso depende de uma pauta mais clara para o trabalhador

Uma reforma política que chegue às ruas. Esse foi o tom do debate ocorrido nessa quarta-feira na CUT-MG, que contou com a presença do professor de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Juarez Guimarães, e da a socióloga Liliam Daniela dos Anjos, integrante do Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) da PUC Minas e militante da Assembleia Popular. Ao falar sobre o tema que repercute em todo o país, os especialistas deixaram claro que toda a teoria e esforço desprendido sobre a reforma política só terá sentido se o debate chegar ao povo.

“Acredito que essa luta será vitoriosa, mas a primeira questão que levanto é que essa não deve ser uma discussão parlamentar, mas das ruas. Não deve ser um movimento corporativo, mas uma campanha universal, do povo brasileiro, com os movimentos sociais lutando juntos”, afirma Juarez Guimarães. Da mesma forma, Daniela dos Anjos defendeu a necessidade de transformar essa pauta em algo que dialogue mais com a população, fazendo-a entender a importância desse debate. “Já estamos superando a ideia de que o assunto da reforma política é restrito à academia e ao parlamento. Mas precisamos democratizar esse debate, desviciar o nosso modo de fazer política para trazer o tema para o dia-a-dia das pessoas”, destaca.

A socióloga também destacou a necessidade de se esdudar mais o tema e abrir a discussão de forma mais profunda para que ele não se enfraqueça por falta de conhecimento. “Nós precisamos estudar mais. Para dominar o tema, temos que transformar esses debates em formação permanente. Precisamos entender claramente todos os pontos, ter clareza do que pautamos, dominar os pormenores, entender que o que propomos interessa à classe trabalhadora. Não podemos ficar vendidos no debate”, frisa.

Outra questão levantada por Daniela dos Anjos é a ampliação do que vem sendo discutido como reforma política. Ela lembra que a mídia destaca, principalmente, a mudança no sistema eleitoral, mas o debate vai muito além disso. Ela destaca que ainda é preciso avançar nas questões da democracia direta, melhorar os elementos da democracia representativa, além da democratizar a comunicação e o sistema judiciário. “E no que diz respeito às mudanças no sistema eleitoral não é só discutir o financiamento de campanha, mas outras questões como o fortalecimento dos partidos, a representação das minorias”, diz.

Pontos para uma reforma vitoriosa

Durante sua exposição, o professor Juarez Guimarães afirmou que acredita ba reforma política e destacou alguns pontos para que ela aconteça com sucesso. Além da questão do debate ir pras ruas, ele lembrou que é preciso fazer um plano de campanha e construir metas com o objetivo de interferir na agenda do governo e da mídia. “Precisamos fazer mais atos simbólicos”, alerta.

Ele também aponta a necessidade de se formar uma rede de comunicação democrática popular. “Precisamos de rádios comunitárias, TV pública, meios para transformar a comunicação e entrar na polêmica diária junto com o resto da mídia”, diz. O professor salienta, ainda, que é preciso identificar o inimigo da classe da trabalhadora, a fim de que essa luta se norteie por um caminho mais concreto. “O inimigo número um do povo se chama Aécio e o sobrenome é Cardoso. Ele precisa ser desmascarado todos os dias”, afirma. Por fim, Juarez Guimarães lembra que o povo não pode absorver os limites do governo e enfrentá-lo, se for preciso.

Fonte: Minas Livre